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Todos os dias, Ana Carolina fazia o mesmo trajeto para chegar ao trabalho. E não era só o mesmo caminho, mas fazia as mesmas coisas: levantava na mesma hora, tomava sempre seu café com leite e meio pão com nata, deixava ordens para a empregada e levava as crianças para a escola. Tudo igual. Ana não lembra quando foi a última vez que saiu dessa rotina para pensar em si mesma e viver algo que realmente lhe desse prazer; tirar um dia só para si, mesmo que fosse para ficar em casa. Sair da cama só quando tivesse fome, comer qualquer coisa e voltar para cama. Assistir a um bom filme, comendo doces e besteiras. Rir muito se fosse uma comédia e chorar copiosamente se tivesse vontade.
A maternidade lhe tirara essa liberdade. Talvez, ainda possa fazer esse dia acontecer, pensa Ana: um dia as crianças crescerão, seguirão suas vidas e eu não estarei mais trabalhando. Porém, não terei mais 38 anos, talvez não goste de ficar tanto na cama. Dizem que as pessoas da terceira idade detestam cama. Pipoca e doces? Tem o colesterol e o diabetes. Assistir a filmes, rir e chorar? Será que já não estarei com o coração endurecido pelas lutas diárias que enfrentei para realizar o sonho de uma boa situação financeira?
Perdida nesses pensamentos, Ana Carolina toma outra direção e, depois de alguns quilômetros por uma via que não conhecia, encontra um parque florestal. Muitas árvores, um campo enorme com um gramado extenso, flores das mais variadas cores e tipos, predominando as margaridas. Ana, encantada por aquela beleza, pára o carro, estaciona e vai até bem próximo ao portão. Entra e inicia sua caminhada por aquele corredor contornado por lindas margaridas. À medida que atravessa aquele campo, vai se sentindo renovada pelo perfume das flores e pela paz que aquele lugar transmite.
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